Vida a Bordo: Parte 3

Warning

Warning é a advertência de bordo. A cada merda que fazemos, da-lhe um warning. Antes do Warning existe o Notice, juntando 3 vira um Warning, juntando 4 ou 5 (dependendo das circunstâncias) é desembarcado, demitido, mandado pro olho da rua. Quem esteve a bordo de um navio, sabe: Quantas pessoas são desembarcadas por exceder o numero de Warnings. Eu levei 3 Warnings em 8 meses. Todos pelo mesmo motivo: Boat Drill. É o tipo de Warning mais imbecil, perder um boat drill (!). Muita gente “economizava” Warnings pro final do contrato, pra sair estando em Port Manning (Port Manning é o plantão de bordo. A todo momento é necessário ter uma porcentagem de tripulantes a bordo e, por isso, um dia por semana não se pode sair do navio), ou fazer uma festinha na cabine. Também tomei 1 Notice, e esse por um motivo mais real: Não limpar direito minha estação e chegar 2 horas atrasada. Na verdade o motivo de eu não limpar direito as coisas veio de gaiato. Numa noite eu me rebelei e mesmo tendo que trabalhar depois resolvi ir em uma das crew parties. Bebi um poquinho e fui trabalhar meio estranha. Meu chefe viu que eu tinha caído da escada do locker principal e já desconfiou. No dia seguinte, meu manager me chama e me da um sermão. Nem pude reclamar porque eu tinha chegado atrasada e bêbada pra trabalhar. Fora isso, existiam varias situações que levavam ao Warning, como andar sem crachá, xingar um superior, ser pego de mamagaio, manter coisas do crew mess na cabine, sujeira na cabine, fumar em local que não era permitido, usar drogas, roubar, matar, etc.

Crew Party e o dia seguinte

Era de praxe! Tomar café da manha as 6h30 em dia pós-crew party era risada na certa! Pra quem trabalhava de madrugada, como eu nos primeiros 5 meses do meu contrato, era nosso prazer ver aqueles olhos murchos e cabelos bagunçados de manhã, já que não podíamos ir às festas, pois estávamos trabalhando. Era gente que esquecia name tag, parecia que tinham tirado o uniforme de dentro de uma garrafa. Os zumbis andando pelo navio, quase como se não tivessem alma. Fora as pessoas que nem iam trabalhar, tomavam warning ou se fossem amigas do médico rolava até um day off. Depois quando mudei de horário, eu gozava da vida boa de só entrar pra trabalhar meio dia. Mas mesmo assim, umas duas vezes me peguei vomitando de banheiro em banheiro o expediente todo. Tenho tanta sorte: entrava para trabalhar meio dia e trabalhava em banheiros. Engulam essa, seus babaloos!

A brata da mala de volta

Reclamei durante o meu contrato inteiro de ter que trabalhar pra caralho todo dia. E vocês que leram posts passados sabem que a bordo se está em brata o tempo todo. Mas nada se compara a brata que é fazer as malas para desembarcar. Eu, ao chegar, carregava uma mala grande e uma mochila nas costas. Em oito meses se adquire tanta porcaria que só quem já trabalhou em navio de cruzeiros sabe. Quando faltava um mês pro meu desembarque eu dei uma olhada na minha cabine e cheguei à conclusão que teria que comprar mais uma mala pra levar as coisas. No final das contas acabei comprando 2 malas. E todas foram lotadíssimas. Mesmo eu deixando meu travesseiro, toalha, mochila e mil produtos de beleza e perfumaria pro meu namorado, não havia um ser nessa Terra que conseguisse fechar minhas malas. Primeiro que uma das malas era só pra presentes pro povo daqui do Brasil. Ao longo do meu contrato fui comprando coisas pra família e pros amigos. Quando fui ver, era tanta “lembrancinha” que ocupou uma mala inteira. Também, você se da conta que perdeu muitas coisas que levou ou comprou por la. Me pegava pensando “onde será que ta aquela minha blusinha azul que eu trouxe?” Sei que demorei mais ou menos uma semana pra fazer as malas. Mas veja como experiência faz a diferença. Quando acabei, depois de ter sentando na mala pra fechar o zíper, chamei meu namorado, com aquela cara de “você vai ter orgulho de mim” e mostrei meu trabalho, ele mandou eu abrir a mala, deu uma olhadinha de 30 segundos e disse “da suas malas aqui” e arrumou do jeito dele, e eu só olhando. Sobrou um pouco de espaço! Ele, depois de 3 contratos, já sabia muito bem dessa brata.

Crew Show

O Crew show é uma das coisas que mais sinto saudade! Uma vez na semana, alguns tripulantes fazem um show no teatro para os passageiros. Alguns cantavam outros dançavam e tinha até um chinês que lutava Karatê. E era tão divertido fazer parte desse grupo de pessoas. Era um dos momentos mais divertidos da minha semana. E pra completar nossa alegria, 30 euros por show. Não é o máximo? Era o jeito mais divertido de se ganhar dinheiro extra a bordo. Eu ia lá, me arrumava, fazia uma dancinha, me divertia pra caramba e ganhava por isso. Demais! E o pessoal que  participava do show era bem bacana. Era o mesmo show, sempre, se chamava “I Have A Dream”. As vezes mudavam as pessoas, conforme o pessoal ia desembarcando, mas no geral era o mesmo. Eram duas danças: Uma indiana e uma russa. Todas bem simples, mas muito divertidas. No geral, o Crew Show tinha mais Filipinos e Brasileiros no seu cast, e as vezes surgiam umas outras nacionalidades. Não tinha ensaio, portanto nas minhas primeiras vezes eu errava muito. No meu primeiro Crew Show eu errei tanto a coreografia que uma Alemã louca que dançava com a gente deu um pití enorme dizendo que “eu fiz todos passarem vergonha” (Ela até chorou, pasmem!). Também fiquei envergonhada, mas no final eu ri mais do que chorei e esses alemães é que são uptights demais e não sabem se divertir. Resumindo: Crew Show, que saudades!

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1 comentário

  1. Ariel · outubro 21, 2011

    kkkkk
    #rindomuito com o post
    hahahha

    Curtir

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