Lembrar de Esquecer

Como pode eu não lembrar se tranquei a porta da frente ao sair de casa hoje de manhã. Não lembrar quantas colheres de açúcar eu costumo colocar pro meu café ficar bom. Não lembrar o horário do ônibus que pego todos os dias.

Como pode eu não lembrar onde deixei as chaves. Não lembrar de que cor foi pintado o muro em frente a minha casa. Não lembrar o que comi no almoço. Não lembrar se o metrô abre as 4 ou as 5 horas.

E me lembrar tanto de você. Lembrar qual seu lado favorito da cama e que sua letra é inclinada pra esquerda.
De você e dos seus livros. De você e das suas manias. De você e do seu cabelo, do formato das suas mãos.

A memória não tem sentido nenhum. Guarda todas as coisas erradas. Confunde, te idealiza, te distorce.
Seria mais útil lembrar a minha senha do banco. Lembrar de você não me é de benefício algum.

Talvez você nem seja assim mais ou nunca tenha sido. Talvez você se lembre de todas as coisas banais das quais eu não me lembro e não tenha memória de mim.

Talvez você não se lembre da minha música favorita, ou do horário que eu gosto de acordar. Não se lembre se sou destra ou canhota. Não se lembre se eu rezo ou não pra dormir.

A memória é mesmo inútil.

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