Meio do caminho

Quase riscado da agenda, quase esquecido. Quase.
Quase namorado, quase amigo, quase inimigo. Quase.
Quase paixonite, quase esquisitisse. Quase.

Senti que estava no meio do muro. Não cai pra um lado nem pro outro. Não me machuquei. Não precisei de muito curativo.
Senti que estava abraçando uma bolha protetora. Grossa, porque não conseguia sentir o que estava dentro. Não precisei de band aid pra tapar porque não fez nenhum buraco.
Senti que estava do lado de fora do aquário. Não me afoguei nem um pouco. Não precisei de salva-vidas.
Mas que pena.
Queria ter caido do muro, ter furado a bolha, ter me afogado.

Se posso detestar alguma coisa é a falta de tempero, o desespero de ficar olhando e não tentar.
Não quero cinquenta porcento. Quero aumento de tudo que for pra sentir, e não cansar.

Quero: Intensidade, vontade, verdade. Mediocridade, não me interessa.
Quero: Paixão, arrastão, devastação. Estagnação, não me interessa.

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