Desastres Naturais

Quando dei um passo, quis dar dois. Quando percebi, estava correndo e nem sabia onde ia chegar. E assim quis e assim não quis parar. E que os tsunamis venham e me afoguem de mudança, de instabilidade, de sentimento, de não-vazio. De arrepio, de sede e de fome. Que venham furacões e me soprem mais longe ainda, sem voar pedrinhas nos meus olhos, mas que baguncem meus cabelos. Que venham terremotos quando eu precisar, quando chegar o tédio, que remexa meus quadris, que remexa meu chão, até me dar vertigens. Que chova muita água pra lavar meus arrependimentos, meus tormentos, meus lamentos. Que transborde que nem um vulcão e queime minha pele e me faça cicatrizes de amor. Que o calor me deixe marcas de biquini, antes que termine o dia. Que o frio me arrepie os pelos. Quando eu der mais um passo, que seja inconstante, que seja desgastante, que seja revigorante. Quando eu correr que seja novo, que dê medo, que seja um desastre natural.

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