Limites

Quanto tempo é muito tempo?
Quanto de mim é muito de mim?

Minha casa estava limpa, minhas roupas dobradas. Na minha prateleira de metal, todos os livros estavam em ordem. As portas dos armários fechadas. As louças lavadas. Meus chinelos alinhados.

E por todo lado, via cáos, e também via tédio.

Quanto caminho é muito caminho?

Meu cabelos penteados, minhas unhas feitas.
E por todo lado, via cáos e tédio em mistura assustadoramente homogênia.

Pelo caminho andei anotando cada detalhe, dos mais amargos, ensurdecedores gritos travestidos de palavras escritas. Pelo caminho andei fotografando cada pedaço de sorriso manchado no rosto. Pelo caminho andei me perdendo e me achando, alternadamente, até chegar aqui.

Até ter o chão lustrado, o espelho desembassado.
E, ainda assim, o cáos.

Quanto da minha própria imagem é muita imagem?
Quanto espelho e muito espelho?

Quanta história é muita história?
Só vira história quando alguém quer ouvir.

Quanta solidão é muita solidão?
Quantas perguntas são muitas peguntas?

Quantos recomeços são muitos recomeços?
Quanta morte é muita morte?
Só uma.

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