Uma sexta feira típica

É sempre nesse momento, quando meu corpo está se sentindo exausto, que me ocorrem os pensamentos mais angustiantes, que nunca me deixam descansar. Minha mente faz essas coisas, às vezes.

Depois de um dia após o outro, uma sexta feira típica, como tantas outras onde eu fico tendo segundas opiniões sobre tudo, não tem mesmo como dormir. É simplesmente assim que funciona.

E me peguei pensando: Se eu acho que todos, até hoje, foram nada além de grandes babacas (e depois da lista mais triste do universo, chamada “And I Wake Up Alone List”, pra citar Amy Winehouse, em tradução livre “Lista Do Eu Acordo Sozinha”), poderia eu também ter sido uma completa idiota com alguém, ou até mesmo com os coitados pertencentes a essa lista?

Porque, de todos os caras que já estiveram sobre ou embaixo de mim, posso contar com dois quintos dos meus dedos os que realmente foram candidatos a Lista dos Lindos. Isso é apenas um quarto deles, muito obrigada, matemática, por ilustrar.

Tentei fazer mais listas e multiplicações, mas quem se importa. É só um número crescente, sem querer ser puta.
Substituindo amor por sexo, quando deveria ser o exato contrário.
E sendo easy come easy go, little high little low… Sigo.

Sexta passada acordei com dois pés a mais na minha frágil cama box de solteiro (meio barulhenta, devo dizer). E eu sabia exatamente porque isso acontecera. Chama-se carência múltipla dos órgãos, e tinha se iniciado há algumas semanas.

Essa belezura de ferramenta de confraternização das vidas aleatórias, chamada o livro das caras, me deixa cada dia mais descrente e cínica, vendo tantos mozão, mozin e mô, simplesmente, entre pessoas que, coincidentemente, aparecem em minha triste lista, e com dois dedos da santa vodka, vem o próximo idiota e se estabelece.

Vambora fazer o novo cálculo e atualizar.

E era sexta feira, por deus.
E era sexta feira treze, por deus.

Meus coturnos desgastados enfiaram-se novamente em meus pés, meu batom marrom quase que se passa sozinho, e a camisa preta já sabe até o caminho do clube mais próximo.

Dança, conversa com o Toby (meu amigo imaginário), dança, faz um charminho.
Pronto, vem o primeiro cabeludo dizer boa noite, linda donzela dos cabelos negros dançantes (fosse isso séculos antes). E outro, e outro e outro.

E nenhum é cafajeste o suficiente pra figurar minha ilustre lista. Procuremos mais.

Vejo uma escada misteriosa, pela qual eu, curiosamente, subi horas antes, e desci. Um Elvis me puxou pelos ouvidos, mexeu minhas perninhas de saracura, tão ritmadas e engraçadas, e minha vodkas que me perdoem, mas elas provavelmente me fizeram fazer papel de palhaça. Mas uma palhaça meiga, eu acho.

E esse menino de touca e, outra vez, cabelos, parecia outro menino de touca com cabelos que tinha se pintado na minha mente muito antes, e nem de longe se somava na minha lista, não por falta de oportunidade, mas pelo que eu prefiro chamar de bad timing, ou tempo ruim.

E aí meu cérebro fez todo o trabalho de casa:

1 bonitinho mas ordinário
+
11 vodkas caprichadas pelo bar tender me dando mole
+
5 anos luz de baixa auto estima (abaixo do nível do mar)
=
4 PÉS NA MINHA CAMA, MINHA FILHA.
E quinhentas perguntas no dia seguinte quando ele não me ligou (uau que surpresa!)

E voltemos a pergunta para não perder o fio da meada: Seria eu, a meiga palhaça que tem amigo imaginário, tão SACANA quanto estes meninos de cabelos?

“Sim senhora” disse aquela partezinha de trás da minha consciência que está em desacordo eterno com o meu ego. E pra falar a verdade, no final dos argumentos, eu (o eu juiz) até que concordei com ela, a parte de trás.

Quem dançou pra quem?
Quem se fez de linda pra quem?
Quem não ligou pra quem?

É, minha filha, admita!
Você é tão babaca quanto todos os babacas do universo, e só se sente pior porque é mulher e acha que mulher tem que se sentir pior. A história da humanidade ainda é pesada sobre a gente…

Ok, posso dormir agora.

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