Atelier

Comprei calças novas na semana passada.

Estava precisando. As que tinha já não me serviam mais, e, não sei porque eu achava que podia continuar usando pra sempre. Algumas estavam apertadas demais, algumas rasgadas. Outras me vestiam como um saco de batatas. Algumas eu tinha que costurar as barras, ou fazer pensas nas costas, ou até mesmo usar um cinto pra segurar. Viviam cheias de alfinetes, me espetavam. Tinha uma que não combinava com nenhum dos meus sapatos, outra que me deixava marcada nas panturrilhas.

De qualquer jeito, precisava renovar aquela gaveta barulhenta.

Mas tinha essa calça preta, rasgada nas coxas, velha, gasta. Me incomodava, e mesmo assim eu não parava de usar. Quando rasgava demais, eu costurava. É um pouco difícil me desfazer dela, por algum motivo. Se você parar pra pensar, não foram nada de inesquecíveis, ou tão marcantes assim, mas quando usava, me sentia eu mesma.

Essas calças novas me servem perfeitamente. Não me apertam. Abotoam e fecham o ziper quase que sozinhas, sem esforço nenhum. Não preciso dobra-las, não estão rasgadas, são da minha cor favorita e combinam com todos os meus sapatos. Nem cinto preciso usar! Mesmo assim, não consigo correr com elas. Aquele par de calças pretas ainda eram melhores pra correr.

Talvez falte um pouco de tempo até essas calças novas se acostumarem com as minhas pernas. E eu também podia fazer logo outro uso das calças pretas, um pano de chão, um tapete, alguma coisa, rasgar ela de uma vez.

Pensando bem…

Precisava mesmo é me desfazer dessa máquina de costura.

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