Poeminhas & Minitextos

A Lâmpada

Olá, lâmpada!
Nos encontramos de novo e você permanece aí calada,
no meio do teto, centralizada, fosca.
Nem sequer me dá conselhos mais.
Me deixa regressar, olhando, pensando.
Que distância tem até o teto virar parede?
E a ambulância, a pura movimentação urbana, funde-se com sua trilha sonora: o acelerado batimento de um coração que, não fosse a pele (e todo o resto),
encostaria em mim.
Sei que quer ser acesa, também quero. Quem não quer?
Mas quem lhe apertará o botão? É por isso que está assim tão muda, então?
E passa o carro, o helicóptero, e que lição aprendo de você?
Que olhar emudece, como você mesma.
Que descrever distancia, como a parede de você.
Que personificar entristece, como aquele acelerado coração.
E a respiração linguaruda já me contou tudo. Digo a ele: dorme, bem quietinho,
enquanto eu falo com a lâmpada, enquanto a ambulância passa, enquanto
eu fico muda, e seus braços pesam mais sobre mim.
No mais, amarela bolinha de vidro apagada, seja breve se for se acender. Seja dura, seja definitiva. Porque de que adianta se a luz toca só virtualmente a parede?
Queria estar de olhos fechados, tranquilos, e conversando com gente.
Você, lâmpada, muito me preocupa.

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