A Lâmpada

Olá lâmpada!
Nos encontramos de novo e você permanece aí calada,
no meio desse teto, centralizada, fosca.
Nem sequer me da conselhos mais.
Deixa-me regressar, olhando-te, pensando-te.
Que distância tem até seu teto virar parede?
E ambulância, e caminhão fundem-se com essa sua trilha sonora: acelerado
batimento de um coração que, não fosse a pele e todo o resto,
me encostaria.
Sei que quer ser acesa, também quero. Quem é que não quer?
Mas quem lhe apertará o botão? É por isso que está assim tão muda, então?
E passa o Sentimento do Mundo, a Bela e a Fera. Você continua aí,
incandescente.
E passa o orgasmo – tantos. E passa a impressão digital – tantas. E passa a noite mal dormida, de uma orelha à outra, e que lição aprendi de você?
Que te olhar emudece, tal qual você mesma.
Que te descrever distancia, tal qual a parede de você.
Que te personificar entristece, tal qual aquele acelerado coração.
E essa respiração linguaruda já me contou tudo. Digo a ele, em sonho: dorme, bem quietinho,
enquanto eu falo com a lâmpada, enquanto a ambulância passa, enquanto
eu fico muda, e esses seus braços me pesam.
No mais, amarela bolinha de vidro apagada, seja breve se for me palpitar. Seja dura, seja definitiva.
Prefiro estar de olhos fechados, tranquilos, conversando com gente.

Você, lâmpada, muito me preocupa!

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