Mas você, ésse pê!

Eu acho mesmo é que tô apaixonada. Não sei se é amor maduro, mas é certamente amor.

Não sei como não me apaixonei assim por Barcelona.
Troco La Rambla por Av. Paulista, fácil.

O chão dessa estação é totalmente psicodélico, ou eu tô chapada. Essa cidade é assim. É estar chapada o tempo todo. É túnel de neon a noite, é mendigo mijando na rua, é cartaz vegano no poste, é toda beleza suja.

Há 9 meses trouxe meu colchão e meus livros praquele apê, iniciante, despretensiosa. Tava na ponta do banco pra sair de lá, mas não tinha idéia se era aqui que eu queria estar. Não foi minha primeira opção, alô Campinas! Mas fui certeira, fui sortuda.

Eu já vi os extremos.
O mundão – diz minha vó nos encanados interiorismos.
Mas não há nada como aqui.

Savona, Sicília. Lisboa e Funchal. Adeus.
Manila, me esquece. Até você, linda Marselha, au revoir!
Dubrovnik. Meus olhos brilham, mas não…

Essa cidade me excita! Só de acordar de manhã e ver poluição com pássaros. Ver paradoxo diluído em monóxido de carbono. Respiro fundo, nem tanto. Mas quero mesmo ter que correr pra pegar busão lotado. O motorista sempre me sorri, belezinha.

Lá nos cafundós era diferente, te digo! Acordar era certeza de ar puro, de tédio fazendo cosplay de cidade limpa. Me poupe! Pichação de manhã é delírio, é delicia, é sentir-se vivo e rodeado de expressão em forma escrita. O que que eu vou fazer no marasmo de lá? Ficar de pulmão limpinho, conhecer meus vizinhos? Ir dormir as 10, ir pra igreja do meu batismo? Ou morro ou sou morta pela displicência. Não tenho paciência!

Mas cê quer delivery de sushi sashimi as 3 da manhã. Te dou. Cê quer exposição de Computador do Milhão no Matarazzo? Te dou, querida! Até se você quiser ser satanista, vem que tem. Tem gente costurando a vagina por aí… Vem side dish com érre moderado. Quem precisa de porta porteira portão?

Mas, ô mãe! Relaxa. Aqui não é a cabeça do Datena. Apesar de que… Prefiro que seja ao invés dessas ruas sem trânsito daí. Desculpa, mas cáos me atrai mais.

Me questiono se vou sobreviver em outro lugar. Nem mais tenho aquela cara de mochileira de quando tava com 20. Mas eu tava é perdida. Eu tava era certa de que  aonde brotei não enfincava raízes. Rompê-las foi simples e adaptação foi que nem solidão por essas bandas: fácil de curar.

Porque no final, apesar de tudo dito aqui, foi em sp que ficou ainda mais evidente: o ser humano é ao mesmo tempo (e alternadamente) maravilhoso e desprezível. E isso é fantástico.

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1 comentário

  1. Jairo · novembro 5, 2014

    muiiiiiito bom hahahhaa

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