Quando a luz faz curvas?

Mesmo com todas as curvas que essas luzes percorrem no meu corpo, no seu corpo, nesses lençóis, qual o ponto que liga a minha mente com a dele se não é só nossos poros?
Mesmo com todo o egocentrismo que emano e que me é intrínseco, pra reparar nas luzes que percorrem as minhas curvas, e o quão amarelas parecem quando minha mente está vazia.
Um metro e sessenta e três percorreu seu lábio inferior com pouca saliva, muito emprenho e um alguns sons da tv. E, imóvel, congelada, segui, aguardando que ele fosse me derreter.
Tão segura quanto um cofre, guardou todos os dois olhos fixos nas minhas feições. Os meus, trancados, enxergam e apreciam. Por que não perco a consciência? Por que é relevante que um dos meus pés encosta o chão, que uma das minhas mãos está dormente e que eu me sinto tão confortável embaixo do peso dele? E ao mesmo tempo esquivo mentalmente de me permitir voltar, e volto.
Mesmo com todas as cobertas e todo o vento mudo lá fora e todos os corações envolvidos, qual o ponto que fiz com essa agulha hoje? Sei que não o conheço, tampouco a mim.
Não quero pensar em lençóis, em vento, em nada.
Quero desligar a cabeça por dois segundos e não detalhar se a língua dele deve ir pra direita ou pra esquerda. Quero sentir-me exatamente assim: segura, calma.

Calma!
He’ll catch on.

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