Travesseiro 

não me atrai nada que não revela os seus dentes,
monte de quadradinhos menos que beges
desbotados
numa arcada estreita como se seu formato revelasse a timidez
mas quando saltam da meia lua do seu rosto, espremem um pouco seus dois olhos
querendo me fixar na cabeça
ou só sorrir um pouco
e não tentar ser nada que não pode ser
ou tentar (deve tentar!)

pode ser,
meus dentinhos sorridentes,
meu melhor passatempo de passar um tempo feliz
e ser feliz por um tempo
na dimensão de todos os segundos que conto sem te ver
(são os mais longos)

de nada importa o que não te emociona! seu coração saltitante,
quando estou jogada sobre você,
é meu lugar favorito.

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