Soneto acromático

Parece que amarelo não existe
Nas roupas dos banqueiros e assistentes,
Distintos desfilando aqui na frente
De branco, azul-bebê e um bege triste.
Às vezes usam verde mas bem claro.
Pra ver o pigmento só com lupa.
Laranja só se for um sal de fruta.
Cinzentos seguem dentro de um Camaro.
O dia em que vestirem amarelo
Será como assistir um quarto escuro
Se encher de repentina claridade.
Mais fácil ser daltônico que um belo
E oco milionário já maduro
Vestindo um verde opaco e sem vontade.

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