A Lista Dos Perecíveis ou As Mil Vidas

Pra envelhecer não tem idade, tem?
Não tem segunda feira certa, ou primavera certa. Não tem nada certo. Basta estar lá, quieto e contente e pronto: envelheceu.

Porque nesse processo, que é longo, imperceptível de início, um dia você acorda. Um dia você sobe uma escada. Um dia você tenta variar o kama sutra e percebe.

No entanto, não.
Não é só físico. Não é minha flexibilidade reduzida que me mostra isso.
Posso ter 20 e poucos, mas as vezes parece que já vivi mil anos.

O tempo é curto apesar de que Einstein tem razão, é relativo. Por isso não venha me dizer que sou jovem demais pra ser velha. Não me venha com essas baboseiras! Já sentiu o peso da maturidade tão forte nos ombros que precisou jogá-lo de lado, por um minuto, e enlouquecer, gritar, correr, comer manga com leite?

Ou a tenebrosa sensação de auto-suficiência?

Ah, ela!
A maldita! Onde já se viu não precisar de ninguém, nem pra trocar a lâmpada. Que vida! Mas finjo.

– Amor, abre esse pote pra mim?

Mas a verdade é que consigo fazer tudo sozinha e isso me deixa impotente, controvérsia e tudo mais.

Talvez seja minha memória sofrível que deixa o aspecto de longevidade. As vezes parece que já se passaram mil vidas dentro só de uma. Um momento parece distante. Uma palavra se perde no vendaval do tempo dentro dessa cabeça vacilante que carrego sobre o pescoço. Me sinto velha, admito. Assustador!

Mas sabe, me perco. Me jogo dentro de roupas de rebelde sem causa, dentro de cintos de rebite que só fizeram sentido aos 15 anos. E tento disfarçar a pele da alma com maquiagem caríssima. Até falo gírias, sacou?

Pra dizer que não estou velha demais pra aprender a tocar piano, ou matemática.
Pra dizer que não se fica obsoleto depois de duas décadas e uns quebrados.

Tento analisar a mim mesma, até isso! Mas é também porque… Cadê dinheiro pra pagar terapeuta? La vai:
Meu tempo é ágil e passa rápido. Sou volúvel e me desprendo das mãos que me seguram os pulsos com a facilidade de a, b, c, um, dois, três ou dó, ré, mi. Essa sensação de mil vidas vem porque são mesmo mil vidas. Meu tempo é pequeno, minúsculo. Nunca deixo ele dilatar.

Queria ter o mesmo emprego por 10 anos.
Queria ter o mesmo namorado por 10 anos.
Queria ter a mesma casa por 10 anos!
Como tanta gente por aí.

Mas não me permito!
E depois reclamo a impressão de envelhecimento, de caducar antes da hora.

Se eu nasci a dez mil anos atrás mesmo, isso explica tanta dor nas costas, tanta consciência, tanta prepotência.

Me joga na lista dos perecíveis, por favor?
Estou exausta de ser sênior camuflada de junior.

E começar tudo outra vez, outra vez.

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Não Interrompe A Garota

Cê devia ter sido interrompida, garota!
Porque passa a vida, longínqua, desfilando na mata ciliar do Rio da Insanidade, aquele que desagua no Mar da Sandice.

Se liga nessa escova de dente atravessando sua goela, avermelhando seus olhos. Ta errado! Toda vez que cê cisma com colônia de bactéria na língua é mesma merda, assim como quando sua calça não fecha.

Mas olha em volta. (!)
Da só uma olhada nesse maluco falando que mendigo não é gente.
Não é ele desatinado como você, ou ainda mais?
O firmamento é demente.
Não há fato mais verdadeiro, pleunasmo e tudo.

Loucura pouca é bobagem. (!!)
Ultimamente cê ta mandando ver nesse Lars von Trier rodando longa no teu cérebro. Mas ouvi dizer que a linha que separa o louco do gênio é tênue. É sutil. Podes crêr, podes crêr.

Não que mania de perseguição seja a maravilha.
Não que reality check contínuo seja o mar de rosas.

Mas, menina, sua loucura não é maior que a de ninguém, só enfia isso na cabeça. Para com mania de grandeza! Quando você pensava em desexistir, mais mil Marias também pensavam. Ou cê acha que todo mundo gosta de viver o tempo todo?

E digo mais: (!!!)
Pensa nos hospitais, nos cortes, na cocaína.
Sua vida já foi bem mais movimentada que isso, e nem te envolveu, nem foi seu coração que quase parou. Você não é, nem de longe, louca.

Se te dizem louca, te dizem com maus olhos, com direito a conceito defasado do que é insanidade.
Se quem te diz louca é você mesma, repense.

Jogar pega varetas com relacionamentos todo ser humano faz. Se você faz muito, defina muito, depois volte aqui e conversamos. Para de fazer batida de Prodigy com ácido e já tá meio caminho andado.

E depois vem pra sua terapia, pega as letras, aglomera elas e relaxa. Come um cheeseburger!
Björk te entende. Ela passa por tudo isso antes dele acordar pra se sentir mais feliz por estar a salvo lá com ele. Ela faz a hiper balada.

Ufa, surtei, voltei!

Augustoterapia

Meu clube dos solteiros até que me ajudou a desmembrar deles por esses tempos.

Naquela noite, eu estava individual, eu era porção só pra mim mesma. Queria mais uma sexta feira de alcoólicos e risadas e voltas pra casa sei-lá-como, e ressaca depois. E ninguém queria.
Acho que mandei cerca de 300 mensagens, insistente, persistente. Alguém tinha que me acompanhar, porque ficar em casa sozinha naquela cama enorme, mas pequena… Eu não quero!

E ninguém podia, ou queria, ou ia, anyway.

E eu tinha essa lista. Essa lista de coisas pra fazer. Essa lista de desejos, de anseios, de semi-regras, de vontades, assim, jogadas numa folha de papel. E eu tinha esse item. Esse item de gente individual, eu, sendo mestre nisso. De sair sozinha. De fazer tudo sozinha, sem o esquadrão do “eu sou auto-suficiente”.

Vamos então? Vamos.

No mínimo vai me dar um tempo pra pensar sem interrupções.
O que mais me tira as palavras são as interrupções. Não que eu seja profunda o tempo todo, eu sei ser só a primeira camada às vezes, e preciso. É aquela válvula de escape da minha própria loucura. Eu sei falar de coisas fúteis, sei ver vídeos de gente caindo e rir deles. Mas eu não escolho em qual momento cada profundeza minha vai se manifestar. Às vezes tô falando sobre banalidades, como marcas de roupa, a bunda daquela garota que passou, sotaques irritantes, essas coisas e, do além, vem uma coisa me afogar lá nos quintos do meu cérebro. E é estranho parar de falar sobre qual celebridade está passeando com o cachorro em Copacabana, pra discutir sobre o conceito de felicidade, segundo Freud. Não é socialmente aceitável.

E sozinha, apesar de presa nos confins da minha mente com as questões mais perturbadoras, consigo até criar punch lines sem esquecer delas depois. Apesar de ultimamente estar mais esquecida do que nunca de todo detalhe, palavra, conversa e sentido existentes no planeta Terra. Andei fumando maconha demais. Enfim…

Naquela sexta feira perfeita pros singulares, eu saí singular.
Olá Rua Augusta!

E fui pensando, por todo caminho, qual texto amargo e cínico eu ia escrever depois. Talvez eu fosse criticar aquele cara que veio me xavecar e não parava de olhar pros meus peitos. Ou talvez eu fosse fazer piada com a conversa do grupo de garotas do meu lado sobre o tamanho do pau dos caras que elas estavam saindo. Essas coisas que eu sempre critico, mas sempre faço igual.

Mas espera.
Porque que eu tenho que continuar sendo essa chata? Porque que eu tô assim tão amarga mesmo?
Vamos cavar um pouco mais.

Pensei um pouco sobre porque eu não tenho amigas mulheres, enquanto 98% das meninas tem. Eu lembro de ter amigas na infância. No máximo no inicio da adolescência, mas fui perdendo elas ao longo do caminho por algum motivo ou outro.

Tinha a Bruninha, minha primeira amiga. Acho que fomos melhores amigas pra sempre por uns 10 anos. Mas… Não é diferente a amizade quando somos crianças? Não é tão menos cheia de interesses e competições e dependência? É simples e puramente amizade, vontade de rir juntos, sem necessariamente ter nada em comum além de tempo pra brincar depois da escola. É mais partilha, mais cumplicidade, mais verdade. E apesar de eu ser água e ela ser vinho, o dia ia embora com tantos pega pega, escolinha, Barbies e Sandy & Junior. Às vezes a gente falava de garotos. Os da escola, os da rua. Tinha o diário, as canetinhas coloridas, as trocas de correspondência com meninas de outros lugares. Tinha essas coisas. E me parece que era bem mais simples.

E depois que eu comecei a ter mais amigas, tudo começou a complicar.
Dava-me um desconforto e eu só fui perceber bem mais tarde que eu não precisava ter beijado aquele menino na 6ª série só porque todas as meninas já tinham feito isso. Eu não precisava ter pintado tanto as unhas, e ter comprado melissinhas cor-de-rosa. Eu podia ter terminado minhas histórias que aquela professora de português me incentivava a escrever. Eu podia ter ido mais pra aula de piano, ao invés de ficar preocupada com o piercing no umbigo que eu queria colocar porque estava na moda e todas as meninas tinham.

Porque será que eu passei quase toda a adolescência tentando ser essa menina e, só depois que todo esse tempo já tinha sido perdido, percebi que não dava certo?

Aos poucos, as amigas iam se distanciando. E depois de já estar bem mais de saco cheio de todas as festas do pijama e de ficar falando dos gatinhos da malhação de 2001 só pra fazer parte do Clube da Luluzinha, era natural que isso acontecesse. É por isso que, por um grande espaço de tempo, eu também aprendi a ser sozinha. E foi aquela parte mais escura dos anos 2000. Aquela parte mais janela fechada, mais franja na cara, mais roupa preta que, se serviu pra alguma coisa, foi só pra melhorar meu conhecimento musical.

Ta bom pro início da noite, professora de português?
Vamos lá que eu tô só na Peixoto Gomide.

E que tanto eu tava nervosa com a vida, hein?
Tem a ver com essa adolescência e as amigas? Não tinha mais! Eu sei disso, foi só uma reflexão solta. Tava difícil ficar muito tempo no presente esses tempos, e também, eu queria achar um culpado pela raivinha, pelo mau humor, pelos choramingos e pelos textos reclamões. Confesso que fiquei um pouco perdida.

Como quando você começa a ser triste e, depois de uma vida de tristeza, se alguém te perguntar porque você tá triste, você nem sabe mais. Vai embolando tanta neve que no final do morro você já ta soterrado, sem saber porque caiu, em primeiro lugar.

Parti lá pros começos de ser adulta. Sabe quando você faz 18 anos e pensa que cresceu?
Poderia ter vindo de lá então? Faria mais sentido, tava mais próximo. Mas nem tanto…
Apesar de tudo, depois que comecei a pensar sobre essa fase, até que dei umas risadas.

Como não lembrar de todas as coisas bizarras e engraçadas. Será mesmo que amargura veio daí, então?

– Teve aquela vez que eu fui nadar no sítio da Helen, e beber cervejas e jogar conversa fora só porque estava sol. E tinha esse menino careca e meio gordinho que não perdia a oportunidade de me jogar umas cantadas bregas e engraçadas. Eram tão cafonas que não dava pra acreditar que ele estava falando sério, por isso, eu sempre ria e continuava a tentar nadar, ou a beber minha cerveja. Eu queria ficar sozinha vendo a céu laranja do final da tarde, deitada na minha canga fumando um cigarro e lá vinha ele importunar. Mesmo assim, pra mim era só pra jogar papo fora, só porque ele não tinha mais o que fazer. Eu não sei qual foi o momento ou o que eu disse que confundiu a cabeça desse menino. Quando finalmente anoiteceu, fui pro quarto tomar um banho, e quando saí, meio com cabelo na cara, meio escorregando, ele tinha me preparado uma surpresa, que… Pra dizer o mínimo, envolvia uma toalha e uma ereção.

– Teve também uma vez que eu estava no meu bar preferido dos 20 anos, fazendo minha coisa preferida dos 20 anos que era dar uns amassos em algum carro, e esse menino resolveu dar ré, quando eu já estava sem roupa, e acabou por bater no táxi descendo a rua atrás de nós. E depois disso, um aglomerado de gente, incluindo todos os meus conhecidos do bar, começou a se formar em volta do carro.

– Um ano depois, eu e meu carro velho resolvemos sair pra beber naquele mesmo bar favorito e na volta, eu já mais fora desse planeta do que os extra terrestres, entrei numa contra mão e bati de frente com um outro carro. E essa não é nem a parte engraçada da história, porque depois do estrago, eu e meus amigos, tão bêbados quanto eu, empurramos meu carro velho até um terreno abandonado (pra tirar ele do meio da rua) e voltamos de ônibus pra casa. E essa não é nem a parte mais engraçada ainda, porque depois que acordamos, ninguém se lembrava aonde tínhamos deixado o meu carro velho.

E etc, etc, etc…

Não podia culpar os 20 anos.
Além do mais. Depois de ter sido tão melancólica por tanto tempo na vida, com as crises existenciais da adolescência, passei boa parte dos 18 aos 22 fazendo merda, me perdendo, me achando, bêbada, na rua, na Europa, do outro lado do planeta. Em marte, nos fuscas, nos sítios regados a vinho barato e cheiro de cigarro. Na lua. Na Pedra da Lua. No mar.

Quem viveu preso, quando é solto, quer fazer de tudo.
Será que eu fui muito sedenta, então?

Não posso ter sido. Pra qualquer pessoa, eu fui e sou a jovem de 20 e poucos mais normal da história, mesmo com as maluquices e tudo mais. Concluí.

Quando eu já tava lá perto da Dona Antonia, minha mente já estava um pouco gasta de passar pelos últimos dez anos que nem um flash (demorou uns 15 minutos), como se eu tivesse prestes a morrer e então parei pra ver qual era a boa daquela rua. Qual bar eu podia entrar pra finalmente anestesiar essa cabeça pensante com um pouco de vodka. Não era minha intenção no início da Rua Augusta, mas depois de tanto caminhar e viajar no tempo, tava na hora de descansar.

E não pensava em mais nada com nada quando encostei naquele carro pra ver o movimento, pensar se voltava pra casa, ou se esperava a fila quilométrica com os outros jovens e seus amigos. Que mal poderia haver em ficar ali alguns minutos só olhando praquele monte de gente passar? Acho que nenhum. Mas já tinha perdido o fio da meada, aquela vontade de ver de onde estavam saindo meus textos dos últimos 6 meses. Pensando bem: Foda-se! Me deixa curtir essa amargura, me deixa ser chata! Que que tem?

E eu não tenho, então, esse direito? De ser mal humorada, de ser mal amada, de ser essa velha reclamona, nem que seja por esses tempos? Eu sabia muito bem de onde vinha isso, e porque que eu fiz tantos rodeios? Não era da infância, não era da adolescência, muito menos dos 20 e poucos que, sejamos sinceros, foram e são legais pra caralho. Tinha nome, rosto, personalidade e tudo. Chama-se “o último menino”. Os últimos. Os todos dos meus 20 e poucos acabaram me deixando assim meio descrente, meio sem saber se todo aquele romantismo que eu acreditava quando era mais nova era verdade. Nada disso era palpável pra mim, e amor, e cumplicidade, e pet names. Que grandessíssima bobagem!

Os textos? Eles eram o reflexo de noites e mais noites ouvindo Fiona Apple, a mais reclamona entre as cantoras.
E quer saber… No final das contas, acho que cavei e cavei e não cheguei a lugar nenhum.

Por enquanto.

Coisas velhas

E eu continuava aumentando o volume do meu celular com o mindinho, sabendo que podia comprar um aparelho novo.

Já não tinha os botões, mas pra desapegar de alguma coisa, eu sou quase impossível. Nao sei porque tanto eu gosto de coisas velhas. De brechó e sebo. Dessas coisas.

Até meu prédio é de coisas velhas. A idade dos meus vizinhos, somadas, devem dar alguns milhares de anos. Tem essa velha que mora no apartamento da frente, que usa sempre um chapéu e um xale. E me para na saída do elevador pra falar sobre as suas teorias da conspiração. Ela me da um pouco de medo, te juro, quando fala sobre os Illuminatis, e como tudo está caminhando para a Nova Ordem Mundial. E ela deve ter seus noventa e poucos anos. Mas me diz para “abrir os olhos” e enxergar que somos todos manipulados, aproveitar que sou jovem pra fazer alguma coisa.

Toda vez que aperto o botão pro elevador chegar, já fico apreensiva para saber qual o sermão que essa velha vai me dar no longo caminho do primeiro até o décimo segundo andar. E sempre que eu a deixo em sua casa e depois caminho até a minha, me sinto um peso morto no mundo, afinal, o que eu estou fazendo para parar a Nova Ordem Mundial e evitar que todos nós nos tornemos escravos?
Pensando bem, do que é que essa mulher está falando?

E tem a velhinha do decimo andar que tem uns 38 gatos e que eu sempre tenho que importunar para pegar minhas roupas caidas em seu varal. Por algum motivo macabro, eu sempre derrubo toalhas, camisetas e lençóis no varal dessa mesma velhinha. E parece que toda vez que eu vou lá pra pegar de volta, ela me faz ficar esperando sob a firme vigilância dos seus amigos felinos, observando cada movimento meu, como se eu fosse mesmo sair do lugar, com o pavor que tenho de gatos. E um deles, que tem só um olho, me deixa ainda mais paralizada, porque esse olho solitário me da mais medo do que os 74 olhos dos outros gatos. É tão penetrante e intimidador que quase me faz desistir de pegar minhas fronhas de volta.

Mas sempre acaba bem, eu pego minhas roupas, volto pro meu andar, se der sorte não encontro a velha de chapéu e xale e consigo sobreviver.

E tudo isso se estende.

Porque querendo ou não, é uma das coisas mais humanas: Diante das turbulências do presente, pensamos em um passado mais glorioso do que realmente foi.

É por isso que eu tenho tanta dificuldade de me adaptar a novas tecnologias. Um saudosismo grande e persistente me faz de marionete, faz de mim uma piada pras pessoas da minha idade. Quantos anos eu tenho mesmo? Porque que eu tô querendo comprar uma máquina de escrever?

São perguntas que me faço sempre.

Ao mesmo tempo, tenho essa dificuldade imensa de permanecer sempre no mesmo lugar. Umas formigas nas calças, diz minha avó. Porque se fico quieta por muito tempo, me da um siricutico e minhas malas de viagem começam a se arrumar sozinhas, os passarinhos entram pela janela e começam a ajudar, junto com os ratinhos e os coelhinhos da floresta, se eu fosse a Cinderela. Enfim. Pelo menos em se tratando de lugares, tenho ansiedade de novo toda hora.

Não é uma contradição, então?

Demorar anos e mais anos pra trocar de celular, mesmo ele nem funcionando direito mais, e ter que mudar de casa, de vida, de amigos sempre?